quarta-feira, 4 de julho de 2007

Esconde-esconde com a morte 3

O terceiro selo

Nossa contemplação noturna no alto do Japi foi subitamente interrompida por algo estranho. De repente, do nada, em plena noite límpida, veio uma neblina que rapidamente cobriu tudo. Não conseguíamos ver um palmo à frente. Acendemos os faróis do jipe, e o cenário iluminado do velho observatório todo carcomido por ferrugem com aquela fumaça em volta me trouxe uma sensação esquisita. Meio que um nó no estômago, uma ansiedade inesperada.

Até então estávamos animados, falando das novidades que estávamos implantando no jornal. O súbito fog nos fez calar. O frio aumentou, me sentia dentro de uma caixa cheia de gelo seco. Olhávamos para o nada no abismo escuro meio esbranquiçado onde antes havia uma cidade inteira.

Sem mais, de repente, a espessa neblina se foi fantasmagoricamente como havia chegado. Em coisa de minutos a vista era cristalina novamente. Voltamos a ver Junds iluminada lá embaixo. Parecia a mesma cidade. Mas lembro de ter pensado que havia algo diferente, brinquei com possibilidade de física quântica e mais além, como se realmente a teoria que especula sobre os universos múltiplos fosse aplicada na prática. Partimos de um deles e aterrissamos em outro. A nossos olhos, tudo como sempre, ninguém diria que é outro mundo, outra consciência, outro universo. Mais um sinal ignorado. O terceiro selo do envelope do destino sendo aberto trazendo maus presságios.

Resolvemos descer. Tá batendo uma fome. Pois é. Subimos no jipe e fomos embora. O jipe tinha uma precária capota de couro. E não tinha santo antônio nem nada. E maior frio. A descida foi bem pior que a subida. Era pra ser uma estrada. Mas com a preservação ambiental do local, tinha virado uma trilha. Uma buraqueira só. Pelo menos pra baixo é difícil ficar encalhado. Conseguimos sem muitos sustos.

Sábado frio, a cidade estranha. Era novo ali, me incomodava. Fomos até uma lanchonete conhecida na 9 de julho, uma avenidona. Mas o local em volta era meio deserto. A lanchonete ali, nenum movimento por perto. Era um casebre, abertão para a rua, balcãozinho lá no fundo. Simplão. A gente ia se preparar pra ir ouvir um som ao vivo em outro canto. A cachaça fumegando na veia. Sentei numa mesinha no abrigo da frente. Flávio foi dar oi pro dono, era local, estava meio que voltando, conhecia muita gente. Olhei o cardápio, pedimos cerveja. Chamei um sanduba. Esperei.

A seguir: "Esconde-esconde com a morte 4 – Hambúrguer com bifas"

2 comentários:

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